Descobertas feitas a partir de uma pesquisa com 52 pacientes podem tornar a reprodução assistida mais eficiente.
Uma pesquisa da faculdade de medicina da Universidade de São Paulo (USP) identificou proteínas capazes de facilitar a gravidez de mulheres que recorrem à fertilização assistida para ter filhos. Quem explica é a repórter Carla Modena.
A costureira Fabiana Francisco é pura expectativa. Casada há dez anos, há três ela vinha tomando hormônios para engravidar. E agora os médicos do Hospital das Clínicas, em São Paulo, vão tentar a reprodução assistida. “Eles optaram por fazer inseminação e tomei a medicação e vou fazer agora. Estou muito ansiosa, não vejo a hora de chegar”.
Hoje, cerca de cem mil mulheres no Brasil fazem tratamento para engravidar. O processo envolve várias tentativas e muitas frustrações. Mas descobertas feitas a partir de uma pesquisa com 52 pacientes podem tornar a reprodução assistida mais eficiente.
O professor da Faculdade de Medicina da USP Edmund Baracat acompanhou mulheres de 24 a 42 anos que tentavam ter um bebê. O foco da pesquisa foi o endométrio, tecido que reveste o útero. Em todas as mulheres que levaram a gravidez adiante, o médico identificou a presença de três proteínas.
E todas as que não tiveram sucesso apresentaram uma quarta proteína estudada, considerada um fator inibidor da gestação. Os médicos acreditam que monitorando essas proteínas será possível determinar o melhor momento para a fertilização.
“Nós poderemos, a partir dos resultados já obtidos, dizer se naquele momento a paciente tem condições de receber bem a célula-ovo e de ter uma evolução favorável da sua gravidez”, alega Baracat.
Isso deverá poupar as pacientes de desgastes físico, emocional e financeiro. Em clínicas particulares a fertilização in vitro, por exemplo, custa por volta de R$ 10 mil.
O SUS ainda não cobre o tratamento. Hoje, na rede pública, esse atendimento é prestado em alguns hospitais estaduais e universitários, mas o orçamento é limitado.
No HC de São Paulo, cada mulher tem direito a três tentativas. “Se essa paciente engravida na primeira vez, ela potencializa que duas outras pacientes usufruam desse benefício que o estado está proporcionando à paciente”, afirma Paulo Serafini, responsável pela pesquisa.
É tudo o que Fabiana quer. “Vou ficar muito feliz, nossa! Pulos de alegria”.